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Duas das mais promissoras vacinas contra a Covid-19 passam por testes no Brasil

O esforço dos cientistas para desenvolver uma vacina contra a Covid-19 não tem precedentes na história. É uma corrida mundial, em que a ciência está avançando no calendário em uma velocidade nunca vista antes. 

A OMS – Organização Mundial da Saúde – recebeu em 31 de dezembro de 2019 o primeiro alerta sobre um novo tipo de Coronavírus em circulação. Sete meses depois, já são cerca de 140 vacinas em estudo – 15 na fase de testes em humanos – e a resposta à Covid-19 pode vir em um recorde histórico. 

Uma das vacinas desenvolvida pela Universidade de Oxford já está em testes no Brasil pelo Instituto D’or de Pesquisa e Ensino, da Rede D’or, e pela Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. A Fundação Lemann está financiando a estrutura médica e os equipamentos da operação. 

A técnica utiliza um tipo de vírus, o adenovírus, que causa doenças respiratórias. Ele é modificado para se tornar mais fraco e em seu interior é inserido o material genético do novo Coronavírus. Dessa forma, esse vírus carrega pedacinhos do Coronavírus, mas não é ele propriamente dito. Uma vez dentro do corpo humano, ele induz à produção de anticorpos e outras células de defesa para combater a doença. 

O desenvolvimento de uma vacina tem a fase pré-clínica, quando os testes são feitos em laboratórios e em animais. A partir daí, vem a fase clínica, com voluntários humanos. 

São três etapas diferentes: a cada passo, o número de pessoas aumenta e a metodologia muda. No fim deste processo, os pesquisadores precisam comprovar que a vacina é segura, gera anticorpos e não provoca efeitos colaterais relevantes. 

A pesquisadora da Unifesp, Sue Ann Costa Clemens, que comanda o estudo no Brasil, diz que na pandemia o processo regulatório acaba sendo mais flexível. “Não se espera a análise completa de uma fase para se entrar na próxima fase, mas isso não quer dizer que as fases não sejam completadas. O estudo inteiro vai ser completado, a análise vai ser feita como no processo normal”. 

Essa agilidade regulatória também favorece uma outra pesquisa bem avançada: a chinesa, em parceria com o Instituto Butantan aqui no Brasil. O projeto também herdou um conhecimento anterior: o desenvolvimento da vacina contra a Sars, provocada por outro Coronavírus. 

“Todas essas vacinas que estão mais aceleradas, elas herdaram um processo de vacina para outros Coronavírus; mas não estamos perdendo nem qualidade cientifica nem qualidade ética e isso é uma boa notícia para todos, porque estamos conseguindo fazer tudo muito bem e muito mais eficientemente”, afirma Ricardo Palacios, médico de Pesquisas Clínicas do Instituto Butantan. 

A indústria farmacêutica também está acelerando as etapas para produzir as doses de uma vacina que ainda nem está pronta. “É um processo muito arriscado, mas agora, devido ao risco que a doença traz, tanto os governos quanto as grandes empresas estão dispostos a investir mais dinheiro e arriscar mais pra acelerar esse processo”, afirma Ariane Cruz, pesquisadora pela University College of London. 

Mesmo com a pesquisa avançada, ainda é cedo para dizer que a vacina vai sair de um dos estudos em teste no Brasil. Entretanto, com essa força-tarefa mundial e com tanto investimento público e privado, as chances de uma descoberta aumentam e é bem possível que haja mais de uma solução para essa doença que desperta tantas dúvidas. 

É o que diz a vice-diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, a brasileira Mariângela Simão. Ela acredita que a ciência vai descobrir não uma, mas várias vacinas contra a Covid-19. “E é provável que elas tenham características diferentes, por exemplo: você pode ter vacina que funcione bem para jovens e não funcione bem para pessoas acima de 65 anos”. 

Ressalta-se não só o tempo recorde para a conclusão das vacinas, mas também o fator humanitário nesse movimento global. “Acho que isso nunca aconteceu na história da humanidade, que haja uma consolidação dos movimentos em torno de ter um produto que seja eficaz, seguro e que seja um bem público global. (…) o objetivo máximo não é ter lucro em cima disso, é para proteger as populações, proteger a economia e todas as questões que estão sendo afetadas por essa pandemia”, diz Mariângela Simão. 

 

FONTE: G1 

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